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segunda-feira, 29 de março de 2010

Porque Cristo morreu pelos nossos pecados?


Quando a verdade se fez homem, ela teve que morrer por nós. Morrer pelos nossos pecados, foi a melhor forma de redimir a humanidade de seus pecados? São Tomás de Aquino nos da uma pista.

"O fato do homem ter sido libertado pela paixão de Cristo teve muitas conseqüências apropriadas à sua salvação, além da libertação do pecado.

Primeiro, o homem conhece, por este fato, quanto Deus o ama, sendo assim incentivado a amá-lo também, e é aí que está a perfeição da salvação humana. É o que diz o Apóstolo na Carta aos Romanos:

'Nisto Deus prova o seu amor para conosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos inimigos' (5, 8-9)

Segundo, deu-nos exemplo de obediência, de humildade, de constância, de justiça e das demais virtudes que demonstrou na paixão de Cristo, necessárias todas para a salvação humana. É o que diz a primeira carta de Pedro:

'Cristo sofreu por nós, deixando-nos um exemplo, a fim de que sigamos suas pegadas'. (2, 1)

Terceiro, Cristo, por sua paixão não apenas livrou o homem do pecado, mas também lhe mereceu a graça santificante e a glória da bem-aventurança.

Quarto, mostra-se ao homem, por esse fato, que é ainda mais necessário ele se manter imune do pecado, segundo a primeira Carta aos Coríntios:

'Alguém pagou o preço do vosso resgate. Glorificai e levai a Deus em vosso corpo.' (6, 20)

Quinto, esse fato trouxe maior dignidade ao homem, Ou seja, como o homem fora vencido e enganado pelo diabo, seria também um homem a vencer o diabo; e como o homem merecera a morte, seria também um homem, ao morrer, que venceria a morte, como diz a Primeira Carta aos Coríntios:

'Rendamos graças a Deus, que nos dá a vitória por Jesus Cristo' (15, 57)

Portanto, foi mais conveniente que fôssemos libertados pela paixão de Cristo do que somente pela exclusiva vontade de Deus."


Texto retirado do Terceiro Livro da Suma Teológica Questão 46 escrito por São Tomás de Aquino

Felippe Cremona

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Como ocorre o Julgamento de Cristo?


Como ocorre o julgamento? São Tomás de Aquino explica.

"De acordo com Gregório existem quatro diferenças entre os que devem ser julgados.

Primeiramente, uns são bons, outros maus.

Entre os maus, alguns serão condenados, não, porém, julgados. São os infiéis, cujas ações nem serão discutidas, já que está escrito no Evangelho de São João:

'Quem não crê, já está julgado' (3,18).

Outros serão condenados e julgados, como os fiéis que morreram em pecado mortal:

'O salário do pecado é a morte' (Rm 6,23).

Visto que essas pessoas tiveram fé, não deixarão de ser julgadas.

Entre os bons, também alguns serão salvos sem serem julgados:

São os que se fizeram pobres de espírito por amor de Deus. Eles julgarão os demais, conforme se lê no Evangelho:

'Vós, que me seguistes, vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel' (Mt 19, 28).

Tal promessa de Jesus não foi feita apenas aos apóstolos, mas a todos os pobres de espírito. Se não fosse assim, São Paulo, que trabalhou mais do que todos os outros, não estaria entre os juízes. As palavras de Jesus devem ser aplicadas a todos que seguiram os apóstolos, e os varões apostólicos:

'Não sabeis que julgaremos os anjos?' (I Cor 6,3).

Lê-se, também, no Livro do Profeta Isaías:

'Ele vai chamar a juízo os conselheiros
E os chefes do seu povo' (3, 14)


Outros serão salvos, depois de serem julgados. São os que morreram em estado de graça. Embora tenham morrido como justos, cometeram algumas faltas nas suas atividades temporais. Serão, portanto, julgados, mas conseguirão a salvação."


São Tomás de Aquino, rogai por nós!
Todos os textos foram tirados de "O Credo" escrito por São Tomas de Aquino.

Felippe Cremona

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Deus pode mudar o passado?


Esta é uma questão que nos causa curiosidade. São Tomás de Aquino, como sempre, não nos deixa morrer curiosos.

"Deus, que pode tudo, não pode fazer que uma mulher violada, seja não-violada"
(São Jerônimo)

O que implica contradição, não está sob a onipotência de Deus. Ora, que as coisas passadas não tenham existido implica contradição. Com efeito, assim como há contradição em dizer que Sócrates está e não está sentado, também há em dizer que esteve e não esteve sentado. Ora, dizer que ele esteve sentando é declarar uma coisa passada:dizer que não esteve é dizer que essa coisa passada não existiu. Então, que as coisas passadas não tenham existido, isto não está na dependência da potência divina.

É o que assevera Agostinho:
"Aquele que diz: 'Se Deus é onipotente, faça que o que foi feito não tenha sido feito', não percebe o que está dizendo: 'Se Deus é onipotente que ele faça que o que é verdadeiro, enquanto tal, seja falso'"

E o Filósofo escreve no livro da Ética:
"A Deus só lhe falta isso: tornar não feito o que foi feito"


Texto retirado da "Suma Teológica, Livro I" de São Tomás de Aquino.

Felippe Cremona

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Superioridade dos Anjos


O Anjo é superior ao homem, São Tomás de Aquino explica o porque.

O anjo superava o homem em três aspectos:

Primeiro, pela dignidade de sua natureza, que é puramente espiritual, conforme diz o Salmo: "dos ventos fazes os Teus mensageiros"(103,4). O homem, porém, é de natureza corruptível, como o reconhecia Abrãao: "falarei ao meu Senhor, ainda que eu seja pó e cinza"(Gn 18,27).

Segundo, por sua familiaridade com Deus, pois, sendo seu auxiliar, o anjo Lhe é íntimo, conforme se lê em Daniel: "milhares de milhares O servem, inumeráveis são os que assistem diante d'Dele"(Dn 7,10). Porém, pelo pecado, o homem se fez como que estranho e exilado de Deus, como o confessa o salmista: "fugi para longe e permaneci no deserto"(Sl 54,8). Era conveniente, portanto, que o anjo, que é próximo e familiar ao Rei, fosse reverenciado pelo homem.

Terceiro, o anjo era superior por causa da plenitude do esplendor da graça divina. Com efeito, os anjos participavam da luz divina na suma plenitude, conforme se lê no livro de Jó: "porventura têm número as suas milícias? E sobre quem é que não levanta a sua luz?"(Jó 25,3). Eis porque os anjos sempre aparecem revestidos de luz. Os homens, porém, ainda que participem da luz da graça, fazem-no num grau muito menor e com certa obscuridade.

Texto retirado de "In Salutationem Angelicam Expositio" de São Tomás de Aquino.

Felippe Cremona

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sobre Milagres


O que é milagre? São Tomás de Aquino te explica.

"A palavra milagre toma-se de admiração. A admiração se dá quando os efeitos são manifestos e a causa, oculta. Por exemplo, uma pessoa admira quando vê um eclipse do sol, mas ignora a causa, como se diz no início do livra da Metafísica. Ora, a causa de um efeito aparente pode ser conhecida de alguns e ignorada por outros; portanto, isso pode parecer admirável para uns e para outros não:

O rude admira o eclipse do sol; o astrônomo, não.

Chama-se, pois, milagre o que é cheio de admiração, no sentido de que a causa fica absolutamente oculta para todos. Esta causa é Deus. Portanto, as coisas feitas por Deus fora das causas por nós conhecidas são chamadas de milagres"

São Tomás de Aquino, rogai por nós!
Todos os textos foram tirados da "Suma Teológica Livro I" escrito por São Tomás de Aquino.

Felippe Cremona

sábado, 18 de julho de 2009

Utrum Deus Sit


É impossível provar que Deus existe? São Tomás de Aquino irá te deixar de "queixo caido"

"Por cinco vias pode-se provar a existência de Deus.

A primeira e mais manifesta é a procedente do movimento; pois, é certo e verificado pelos sentidos, que alguns seres são movidos neste mundo. Ora, todo o movido por outro o é. Porque nada é movido senão enquanto potencial, relativamente àquilo a que é movido, e um ser move enquanto em ato. Pois mover não é senão levar alguma coisa da potência ao ato; assim, o cálido atual, como o fogo, torna a madeira, cálido potencial, em cálido atual e dessa maneira, a move e altera. Ora, não é possível uma coisa estar em ato e potência, no mesmo ponto de vista, mas só em pontos de vista diversos; pois, o cálido atual não pode ser simultaneamente cálido potencial, mas, é frio em potência. Logo, é impossível uma coisa ser motora e movida ou mover-se a si própria, no mesmo ponto de vista e do mesmo modo, pois, tudo o que é movido há-de sê-lo por outro. Se, portanto, o motor também se move, é necessário seja movido por outro, e este por outro. Ora, não se pode assim proceder até ao infinito, porque não haveria nenhum primeiro motor e, por conseqüência, outro qualquer; pois, os motores segundos não movem, senão movidos
pelo primeiro, como não move o báculo sem ser movido pela mão. Logo, é necessário chegar a um primeiro motor, de nenhum outro movido, ao qual todos dão o nome de Deus.

A segunda via procede da natureza da causa eficiente. Pois, descobrimos que há certa ordem das causas eficientes nos seres sensíveis; porém, não concebemos, nem é possível que uma coisa seja causa eficiente de si própria, pois seria anterior a si mesma; o que não pode ser. Mas, é impossível, nas causas eficientes, procederse até o infinito; pois, em todas as causas eficientes ordenadas, a primeira é causa da média e esta, da última, sejam as médias muitas ou uma só; e como, removida a causa, removido fica o efeito, se nas causas eficientes não houver primeira, não haverá média nem última. Procedendo-se ao infinito, não haverá primeira causa eficiente, nem efeito último, nem causas eficientes médias, o que evidentemente é falso. Logo, é necessário admitir uma causa eficiente primeira, à qual todos dão o nome de Deus.

A terceira via, procedente do possível e do necessário, é a seguinte — Vemos que certas coisas podem ser e não ser, podendo ser geradas e corrompidas. Ora, impossível é existirem sempre todos os seres de tal natureza, pois o que pode não ser, algum tempo não foi. Se, portanto, todas as coisas podem não ser, algum tempo nenhuma existia. Mas, se tal fosse verdade, ainda agora nada existiria pois, o que não é só pode começar a existir por uma coisa já existente; ora, nenhum ente existindo, é impossível que algum comece a existir, eportanto, nada existiria, o que, evidentemente, é falso. Logo, nem todos os seres são possíveis, mas é forçoso que algum dentre eles seja necessário. Ora, tudo o que é necessário ou tem de fora a causa de sua necessidade ou não a tem. Mas não é possível proceder ao infinito, nos seres necessários, que têm a causa da própria necessidade, como também o não é nas causas eficientes, como já se provou. Por onde, é forçoso admitir um ser por si necessário, não tendo de fora a causa da sua necessidade, antes, sendo a causa da necessidade dos outros; e a tal ser, todos chamam Deus.

A quarta via procede dos graus que se encontram nas coisas. — Assim, nelas se encontram em proporção maior e menor o bem, a verdade, a nobreza e outros atributos semelhantes. Ora, o mais e o menos se dizem de diversos atributos enquanto se aproximam de um máximo, diversamente; assim, o mais cálido é o que mais se aproxima do maximamente cálido. Há, portanto, algo verdadeiríssimo, ótimo e nobilíssimo e, por conseqüente, maximamente ser; pois, as coisas maximamente verdadeiras são maximamente seres, como diz o Filósofo. Ora, o que é maximamente tal, em um gênero, é causa de tudo o que esse gênero compreende; assim o fogo, maximamente cálido, é causa de todos os cálidos, como no mesmo lugar se diz. Logo, há um ser, causa do ser, e da bondade, e de qualquer perfeição em tudo quanto existe, e chama-se Deus.

A quinta procede do governo das coisas — Pois, vemos que algumas, como os corpos naturais, que carecem de conhecimento, operam em vista de um fim; o que se conclui de operarem sempre ou freqüentemente do mesmo modo, para conseguirem o que é ótimo; donde resulta que chegam ao fim, não pelo acaso, mas pela intenção. Mas, os seres sem conhecimento não tendem ao fim sem serem dirigidos por um ente conhecedor e inteligente, como a seta, pelo arqueiro. Logo, há um ser inteligente, pelo qual todas as coisas naturais se ordenam ao fim, e a que chamamos Deus."

São Tomás de Aquino, rogai por nós!
Todos os textos foram tirados da "Suma Teológica Livro I" escrito por São Tomás de Aquino.

Felippe Cremona

sábado, 11 de julho de 2009

Indulgência



Hoje em dia, vemos muitos católicos que, após verem as mentiras dos filmes do Herege Lutero, se acharem no direito de se dizerem contrários as Indulgências. Mas o que são as indulgências? São Tomás de Aquino nos explica como elas surgiram

"Para quem vive na caridade, as indulgências têm o valor que o Papa lhes pode conferir. Quando os santos fazem boas obras, sem terem pecado, ao menos mortalmente, essas obras são úteis para a Igreja. Do mesmo modo os méritos de Cristo e da bem-aventurada Virgem são reunidos como um tesouro. O Soberano Pontífice e aqueles a quem ele confiou tal cuidado, podem aplicar estes méritos, onde mais houver necessidade. Assim, pois, os pecados são remidos, quanto à falta, pela contrição, e quanto à pena, pela confissão e pelas indulgências."

São Tomás de Aquino, rogai por nós!
Todos os textos foram tirados de "O Credo" escrito por São Tomas de Aquino.

Felippe Cremona