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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Atraíste tudo a ti, Senhor!


"Oh, admirável poder da cruz! Oh! glória inefável da paixão! Nela se encontra o tribunal do Senhor, nela o julgamento do mundo, nela o poder do crucificado!

Atraíste tudo a ti, Senhor, e, enquanto estendias durante todo um dia tuas mãos para um povo incrédulo e obstinado em contradizer-te, o mundo inteiro recebeu o entendimento para confessar tua majestade!

Atraíste tudo a ti, Senhor, porque, para execrar o crime dos judeus, todos os elementos pronunciaram uma sentença unânime, quando os luminares celestes se escureceram, e o dia mudou em noite, quando a terra foi sacudida por movimentos insólitos, e a criação inteira se recusou a servir aos ímpios!

Atraíste tudo a ti, Senhor, porque, rasgando o véu do templo, o Santo dos Santos se retirou de pontífices indignos; a figura se mudou então em verdade; a profecia, em manifestação; a Lei, no Evangelho.

Atraíste tudo a ti, Senhor, a fim de que o culto de todas as nações do universo celebre, mediante um sacramento pleno e manifesto, o que se fazia num só templo da Judéia e sob a sombra de figuras.

Com efeito, agora a ordem dos levitas é mais ilustre, a dignidade dos anciãos é mais elevada e a unção dos sacerdotes é mais sagrada; porque tua cruz é a fonte de todas as bênçãos, a causa de todas as graças; por ela, da fraqueza os crentes recebem a força; do opróbrio, a glória; da morte, a vida.

Agora a diversidade dos sacrifícios carnais esta terminada; a oferenda única de teu corpo e de teu sangue consome todas as diferenças das vítimas; porque és tu, o verdadeiro Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo e completas em ti todos os mistérios, a fim de que todos os povos formem um só reino como todas as vítimas cedem o lugar a um só sacrifício."

Texto retirado do sermão numero 59 de São Leão Magno

Felippe Cremona

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Na Quaresma, entramos na arena para a luta


Quaresma esta longe de ser um tempo monótono. Preparem-se para a batalha!

"Chegamos, pois, caríssimos, ao início da quaresma, ou seja, a um mais complicado serviço do Senhor, pois comprometendo-nos de alguma forma em uma espécie de competição de obras santas, preparamos nossas almas para combater as tentações; e compreendamos que quanto mais nos aplicarmos à nossa salvação, tanto mais veementes serão os ataques dos adversários.

Mas, aquele está em nós é mais forte do que aquele que está contra nós e é por ele que nos afirmamos, se confiarmos em sua força: porque se o Senhor permitiu ser tentado pelo tentador, com isto quis nos instruir pelo seu exemplo, para que fôssemos fortalecidos pelo seu auxílio. Porque Ele venceu o inimigo, como já ouvistes dizer, apelando para as leis e não pelo uso do seu poder; desta forma Ele honrava sobremaneira o homem e punia mais severamente o adversário, pois que o inimigo do gênero humano era vencido por Ele não tanto enquanto Deus, mas enquanto homem.

Portanto, Ele lutou para que nós pudéssemos lutar em seguida; Ele venceu, para que nós da mesma forma vencêssemos. Caríssimos, não existe nenhuma obra de virtude sem a experiência da tentação, nenhuma fé sem provações, nenhum combate sem inimigo, nenhuam vitória sem compromisso. Esta nossa vida está posta no meio das dificuldades e dos combates; se quisermos ser vencedores, é preciso combater. Eis porque o sábio Salomão escreveu:

"Meu filho, entrando para o serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação". (Sb 2, 1)

Com efeito, este homem pleno de sabedoria de Deus, sabendo que o esforço religioso comporta duros combates e prevendo as incertezas do combate, sabe antecipadamente que será preciso combater: porque se o tentador atinge uma alma ignorante deve-se temer que ele possa ferir mais rapidamente a alma despreparada.

Nós, portanto, que fomos instruídos pelo ensinamento divino, entrando cientes para a competição do presente combate, ouçamos o Apóstolo que diz:

"Pois o nosso combate não é contra o sangue nem contra a carne, mas contra os principados, contra as autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos do mal, que povoam as regiões celestiais". (Ef 6, 12)

Não ignoremos que estes inimigos que desejam nos iludir compreendem bem que é contra eles que agimos quando tentamos alcançar nossa salvação; somente por isso, e desejando qualquer bem nós provocamos os adversários.

Existe entre eles e nós fomentada pela inveja diabólica, inveterada oposição, de tal modo que empobrecidos como eles estão destes bens dos quais somos cumulados pela graça de Deus, nossa justificação significa sua tortura. Quando, portanto, nós nos levantamos, eles se afundam; quando nós reencontramos nossas forças, eles adoecem. Nossos remédios são pragas para eles, pois são feridos com a cura de nossas feridas.

Caríssimos, como diz o Apóstolo:

"Portanto, ponde-vos de pé e cingi os vossos rins com a verdade e revesti-vos da couraça da justiça e calçai os vossos pés com a preparação do evangelho da paz, empunhando sempre o escudo da fé, com o qual podereis extinguir os dardos inflamados do Maligno. E tomais o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus". (EF 6, 14-17)

Vêde, caríssimos, de que forças poderosas, de que defesas insuperáveis nos muniu este comandante adornado de tantos triunfos, este mestre invencível da milícia cristã!"

São Leão Magno, Rogai por nós!
Texto retirados do sermão 39 de São Leão Magno

Felippe Cremona

terça-feira, 17 de março de 2009

Caridade


Muitas vezes vemos Católicos que observam todos os preceitos da nossa Fé, mas quando chega a hora da caridade material, diz que este é um problema para o governo. Os sermões de São Leão Magno, nos ajudam a refletir.


Porque devemos ser caridosos?: "Aquele que distribuir os bens temporais, torna-se herdeiro dos eternos."

Recebemos algum beneficio pela Caridade prestada?: "qualquer culpa contraída durante a permanência terrestre é apagada pelas esmolas."

Quanto devemos dar?: "ninguém se obrigue a dar além de sua possibilidade. Que cada um seja juiz equilibrado entre si e os pobres."

Quanto maior a doação, maior será a alegria de Deus?: "a generosidade dos fiéis não é medida pelo peso do dom, mas pela intensidade da boa vontade."

Sou um bom Cristão, embora não seja caridoso: "embora alguém possa ser fiel, casto, sóbrio e dotado de outras insígnias mais importantes, se entretanto não for misericordioso, não merece misericórdia."

Não ser caridoso é pecado?: "Sabendo, porém, que Deus pode ser negado não só por palavras como também por atos, o demônio destruiu o amor naqueles nos quais ele não pôde anular a fé; e, uma vez ocupado o campo do seu coração pelas raízes da avareza, privou do fruto das obras aqueles que não pôde privar da proclamação da fé."

A ganância dos ricos é justificada?: "se, por suas riquezas nenhum pobre é socorrido, nenhum doente reconfortado...Desta forma, os ricos são mais miseráveis do que todos os miseráveis...ricos de bens temporais, pobres dos bens eternos."

Devo ajudar somente quando me pedem ajuda?: "existem aqueles que coram ao solicitar publicamente aquilo de que precisam...É preciso pois, percebê-los e satisfazer suas necessidades ocultas a fim de que eles tenham maior alegria nisto do que com a descoberta de sua pobreza e de seu pudor"

Porque devemos dar as nossas doações para a Igreja distribuir?: "pois é em direção da Igreja que vem todo pessoal necessitado de socorro."

Deus permite que existam pobres e doentes, pois estas foram umas das formas que Ele escolheu para se fazer presente no meio de nós: "para que sua presença não nos pareça faltar ele acomodou de tal forma o mistério de sua humildade e de sua glória que nós podemos alimentá-lo nos pobres, ele que nós adoramos como Rei e Senhor, na majestade do Pai."

Aquele que tem muitos bens materiais, é chamado a dividi-los com os pobres, pois todos os bens foram dados por Deus: "não só temos bens espirituais e dons celestiais porque nos são dados por Deus, como também, as riquezas terrestres e materiais provém de sua própria magnanimidade, de tal modo que, por algum mérito, se poderia perguntar a razão destes bens que ele nos concedeu mais para distribuí-los do que para possuí-los."

Desta forma, no dia do Juízo Final, ricos e pobres serão tratados da mesma forma: "no dia da recompensa não é a medida das riquezas que será julgada, mas a qualidade das intenções."

São Leão Magno ainda nos confirma: "Aquele que alimenta o Cristo presente no pobre, constrói seu tesouro no céu."


São Leão Magno, Rogai por nós!
Todos os textos foram tirados dos seis sermões de São Leão Magno sobre as coletas

Felippe Cremona